impressionantes duas participantes: eu e ela. Convidamos Milla
para ir conosco, e ela logo aceitou.
Naquele dia, nós três fomos a um café superfaturado e
conversamos sobre as nossas vidas, interesses amorosos, desejos
para o futuro, medos, frustrações e um milhão de outros aspectos
da vida de jovens adultas.
As conversas se tornaram tão intensas e, ao mesmo tempo,
desconexas, que, quando percebemos, já falávamos sobre Augusto
Nogueira, um garoto melequento e loiro que fazia bullying com
Sthela no ensino fundamental e que ela, até hoje, não superou.
É engraçado pensar que, desde aquela tarde qualquer em que
uma garota de 1,80m de altura, com cabelos crespos volumosos,
uma pele negra lindíssima repleta de tatuagens e um sorriso tão
perfeito quanto o resto do seu rosto me deu um banho de chá
gelado e aceitou, de bom grado, fazer parte de uma tarde com
duas estranhas… minha vida social mudou drasticamente. Porque
Milla e Sthela eram tudo de que eu precisava.
Naquele mesmo dia, fizemos um grupo no WhatsApp, e isso foi
mais que suficiente para desencadear uma discussão sobre qual
seria o nome do grupo. Sthela sugeriu que fosse As Três
Mosqueteiras, ao que Milla se recusou, insistindo que seria
melhor se fosse um nome mais original, como o do seu desenho
animado favorito da infância — As Três Espiãs Demais.
Antes que as duas agarrassem os cabelos uma da outra naquele
café chiquérrimo, repleto de pessoas que já nos encaravam mais
do que o normal, eu não me abstive da discussão e reivindiquei o
voto de Minerva. Escolhi As Três Mosqueteiras, mas só porque
sou fã de Alexandre Dumas.
E, nesta tarde de uma sexta-feira qualquer — as duas se
tornaram minhas melhores amigas.
Por essa razão, foi duro quando Sthela descobriu, há alguns
meses, o câncer de pâncreas. Quando foi diagnosticada, já estava
muito avançado. Não gosto de reviver aquele dia; o corpo lembra